Antigamente, o futebol era um esporte que só podia ser praticado pela elite branca, excluindo os negros e pobres, independentemente se jogassem bem ou não.
O futebol chegou ao Brasil no final do século XIX onde a aristocracia dominava ligas de futebol, enquanto o esporte começava a ganhar as várzeas. O primeiro jogador a quebrar esta barreira foi Carlos Alberto. Em 1914, o jogador entrou em campo pelo Fluminense Futebol Clube usando pó-de-arroz no rosto. Ele tinha medo da aristocracia da torcida tricolor rejeitá-lo pela cor da pele. Durante a partida, o suor começou a tirar a maquiagem de Carlos Alberto e, por causa dele, as demais torcidas de times cariocas começaram a definir a torcida do Fluminense como “pó-de-arroz”.
No início de sua história no futebol, o Clube de Regatas Vasco da Gama se destacou por aceitar negros e mulatos em seu elenco. Os jogadores, que eram operários e moravam nos bairros dos subúrbios do Rio, também recebiam o “bicho” (dinheiro por terem atuado numa partida), prática não utilizada nas outras equipes cariocas. Em 1923, o Vasco foi campeão carioca, disputando pela primeira vez a 1ª Divisão do Campeonato Carioca. De acordo com o jornalista Abraham B. Bonadena (em seu livro O expresso da vitória), as demais equipes se mobilizaram para evitar que o Vasco fosse campeão invicto do torneio. Afirma-se que, na partida entre Flamengo e Vasco, o juiz Carlito Rocha teria anulado um gol legítimo a favor da equipe vascaína, dando a vitória ao Flamengo pelo placar de 3 a 2.
Carlos Alberto, primeiro jogador negro brasileiro
Esse preconceito tende a acontecer com certa facilidade mesmo havendo a pressão da mídia e da sociedade contra esses casos porque o futebol é um esporte que facilmente une pessoas de todas as "raças", considerando-se principalmente afrodescendentes e eurodescendentes.
Dois casos recentes de racismo mereceram repercussão no mundo do futebol, especialmente no Brasil, por envolverem atletas brasileiros. Em menos de uma semana, Roberto Carlos e Neymar foram alvo de agressão de torcedores xenófobos em estádios europeus. Bananas foram mostradas e atiradas para expressar o menosprezo pela condição de negro ou afro-descendente dos jogadores em questão.
As atitudes racistas são condenáveis. Não adianta fechar portões, acabar com o jogo no meio, punir o clube, isso é questão de educação. Se a postura não mudar de modo geral na sociedade, nada irá funcionar.
Essas atitudes lamentáveis demonstram que continuam presentes no mundo a intolerância e a violação aos direitos humanos. O racismo está em toda parte, seja no velho ou no novo mundo. O que varia é apenas a forma como é manifestado esse sentimento odioso.
Só quem enfrenta o preconceito no dia a dia sabe o quão covarde uma agressão racista (ou sexista, ou homofóbica, ou de qualquer natureza preconceituosa) pode ser.



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